Arautos de Suzano

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segunda-feira, 2 de julho de 2018

A festa do Divino surgiu das lagrimas e súplicas da Rainha Santa Isabel


A festa do Divino surgiu das lagrimas e súplicas da Rainha Santa Isabel
Pe. Jose Luis de Zayas EP
Arauto do Evangelho


A 4 de julho de 1336 falecia na cidade portuguesa de Estremoz, a Rainha Santa Isabel de Portugal. Elevada à honra dos altares em 1652, suas heroicas virtudes são celebradas pela Santa Igreja, e de modo especial pelos descendentes dos bravos
navegadores portugueses nas mais diversas regiões do globo.

Por que a sua lembrança está ligada também às populares festividades do Divino Espírito Santo?
Num momento de grande aflição para sua família, a Rainha Isabel recorreu aos Céus, implorando a especial proteção do próprio Deus, na Pessoa do Divino Espírito Santo, para suplicar-lhe a fortaleza, a sabedoria, a piedade, para que assim fizesse cessar o risco de um sanguinário conflito entre seu esposo e seu filho, com terríveis consequências para todo o Reino.
Uma criatura rezando ao seu Criador, uma santa mãe de família que suplica por seu devasso marido para que abandone a vida de adultério, que implora a Deus pela conversão do filho revoltado, para que retorne ao caminho da virtude. Em seguida, tendo sido plenamente atendida, a gratidão da Rainha ao Espírito Santo se expressou por uma coleta publica de esmolas que deu origem ao Cortejo do Divino (A Alborada).
Assim começa a história da Festa do Divino nas terras de Portugal, que vem se repetindo a cada ano ao longo de sete séculos, pelos descendentes de seus navegadores e colonos pelo mundo afora. Uma bela história com profundas lições para nossa época, em que tantas famílias encontram-se ameaçadas de serem destroçadas por cônjuges que enveredam pelo adultério, pelos pecados, pelo abandono dos Mandamentos e do próprio lar.

A Rainha desfaz guerra entre pai e filho
Transcorria o ano de 1321. A Rainha, que já experimentara anos de um verdadeiro calvário matrimonial, em razão da desenfreada pratica de adultério por seu esposo, o Rei do Diniz, recebeu mais uma punhalada em seu coração materno. Dom Sanches, um dos filhos ilegítimos de Dom Diniz – daqueles que haviam sido criados no palácio real, juntamente com os filhos legítimos – foi arbitrariamente escolhido pelo Rei Dom Diniz, para suceder-lhe no trono.
Quer dizer, o príncipe Dom Afonso, primogênito legítimo e, portanto, sucessor do monarca segundo o direito nobiliárquico, ficava posto de fora, privado de seus direitos.  Recusou ele com firmeza a aceitar tal injustiça, e com apoio de numerosos nobres, ameaçou entrar em conflito com o próprio pai.
Não demorou muito para que tal conflito estivesse prestes a degenerar numa guerra de vida ou morte.
A certa altura, quando os partidários dos dois contendores já estavam alinhados para um confronto de armas, no local que ficou conhecido como da Peleja de Alvalade, se aproximou a Rainha Isabel. Ela erguia um Crucifixo numa das mãos, e estava sentada de lado no dorso de um cavalo, como o faziam as damas de então.

Dirigindo-se maternalmente a seu filho Dom Afonso, disse-lhe a santa Rainha: “Como te atreves a proceder deste modo? Pesa-te tanto assim a obediência que deves a teu pai e senhor? Que podes tu esperar do povo no dia em que te caiba governar o reino, se estás a legitimar a traição com este mau exemplo? Enfim… se de nada te servem os meus conselhos e carinho de mãe, teme ao menos a ira de Deus, que justamente castiga os escândalos!”
Profundamente tocados pela cena, os soldados baixaram suas lanças, e no silencio geral, todos puderam ouvir a sua severa admoestação para a suspensão imediata do combate e para a reconciliação dos contendores. As palavras da Rainha tiveram efeito imediato. O filho aproximou-se do pai, para beijar-lhe a mão. O pai, por sua vez, recuou em seu injusto intento de prejudicar o direito de seu filho legitimo.
Portanto, as orações da Rainha foram plenamente atendidas. Dom Diniz abandonou sua vida desregrada, e finalmente o herdeiro legítimo subiu ao trono, com o nome de Afonso IV.
 
 Pedido de esmolas em honra ao Divino Espírito Santo
Para agradecer ao Divino Espírito Santo a pacificação obtida e implorar pela continuidade daquelas graças sobre sua família e seu Reino a Rainha Isabel decidiu fazer um tocante sacrifício: sair às ruas para recolher esmolas para serem depois distribuídas aos mendigos de Lisboa. Conhecendo as dores que a Rainha havia padecido, todas as pessoas desejavam consola-la oferecendo-lhe generosamente a esmola que ela estava a recolher.
Era uma pequena procissão caritativa, na qual a pequena pomba e a bandeira vermelha lembravam o Divino Espírito Santo e as línguas de fogo que desceram sobre os Apóstolos no Cenáculo. A Coroa representava o Reino de Portugal.
A procissão coletora de esmolas marcou a fundo a alma de todo o povo, e passou a ser lembrada a cada ano… até hoje.
Em Mogi das Cruzes, como em tantas outras cidades, o cortejo evoca a família Real com os jovens figurantes representando os monarcas, portando a coroa consagrada ao Divino Espírito Santo, com vistosas bandeiras vermelhas.

Milagres e corpo incorrupto
Numerosos milagres são registrados nas páginas da biografia de Santa Isabel. Um dos mais conhecidos é aquele ocorrido com as rosas.
O Rei, devido à economia de guerra, havia proibido a larga distribuição de esmolas. Quando Santa Isabel levava no avental dinheiro para socorrer os pobres, encontrou-se com o marido, que lhe perguntou o que guardava ali. Isabel respondeu-lhe que eram rosas. Ora, estava-se no inverno europeu, quando toda a natureza parece morta, e, portanto, não vicejam flores. O Rei quis então ver o que ela realmente levava no avental. A rainha abriu-o, e surgiram belas e perfumadas rosas.
Após a morte de Dom Diniz, em 1325, a Rainha Isabel fez uma peregrinação ao Santuário de Santiago de Compostela, na Espanha, onde fez oferecimento de sua própria coroa, e se retirou ao convento das Religiosas Clarissas de Coimbra, que ela havia fundado. Ela entregou sua alma a Deus em 1336. Em 1612, ao ser iniciado seu processo de canonização, quando se realizou a exumação o seu corpo foi encontrado incorrupto.
Fontes
http://www.arautos.org/secoes/artigos/especiais/santa-isabel-de-portugal-a-rainha-da-bondade-e-da-paz-143499
https://viniciusdecarvalho.weebly.com/blog/santa-isabel-de-portugal-e-a-festa-do-divino